132.

Não sei explicar a minha vontade de palco. É como se passasse muito tempo com um sentimento de insuficiência, de falta de mim, e o palco fosse o sítio para onde carrego o meu corpo e o deixo lá a sangrar em frente a uma audiência muda que, ao contrário do mundo, interpreta a fragilidade da alma dorida entregue a eles como sinal de força e controlo. E saio de lá sempre tão gasta que me sinto a deslizar por este mundo com um coração que derreteu e se transformou em esponja. 

131.

Gosto das pessoas que não têm vergonha de cantar alto enquanto andam na rua e já perdi conta às vezes que me desviei do meu caminho só para me deliciar com melodias de vidas que me são desconhecidas por mais um bocadinho. 

130.

Quando abro a porta com as minhas incrivelmente confortáveis calças de pijama azuis e o alaska escondido no colo, imagino que as pessoas pensem sempre: "pobre coitada, tão nova e já tão solitária" e não consigo não sorrir.

Para quem ainda não teve a honra de conhecer o alaska, hei-lo. 

129.


Altura das confissões:
Gosto de vasculhar os livros do meu pai. Ele não acha piada então aproveito quando se distrai para os cheirar e procurar neles memórias escondidas. Encontro-as sempre, e é como encontrar pedaços do homem que eu nunca conheci, e que sempre imaginei dentro dele.

128.

falta-me doçura, controlo a vontade de chorar à força e o frio parece quebrar-me o corpo em pedaços nestes dias.
" - dás-me a mão? é que as minhas estão geladas."

127.

Dos postais que a Inês recebe às sextas de manhã:


"Gosto de ti quando trazes mantas. Fico quentinha."

126.

Sintra é feita de princesas sem castelo. 

125.


-Olhe, por favor... perdi-me de casa.
- Alguma vez lá esteve?

124.

«Gosto muito de não gostar do Chá de Histórias.
E cá venho na esperança que isso mude...
Felizmente nunca aconteceu....»

122.

As tardes de sábado

119.

Amor é ter vizinhos que se oferecem para nos atirarem livros da janela deles. Com votos de boa leitura.

118.

Há dias em que acabamos amarrados a cadeiras com fita-cola e só nos dão um x-ato para sair, vá-se lá entender esta vida.

117.

Há pessoas interessantes. Com quem apetece comer panquecas de banana ou rebolar na relva. Que nos lembram o vento, por ser leve e desconcertar-nos sempre um bocadinho.

116.

E num dia mau receber uma chamada inesperada que alguém que queria dizer que gosta muito de nós e que lhe tornamos a vida mais bonita? Isso sim.

115.

Gosto de ir passear sozinha porque arranjo sempre companhia.

114.

Notas mentais: toda a gente traz bagagem, muito ou pouco pesada.

113.

Quero respirar Lisboa numa saia de roda. Não sei, mas a vida parece-me sempre mais interessante quando envolve saias de roda.

112.

O que fazer com os dias que nos amargam a boca? Deitemos-lhes açúcar.