No fundo, estas serão sempre as minhas noites favoritas.
132.
Não sei explicar a minha vontade de palco. É como se passasse muito tempo com um sentimento de insuficiência, de falta de mim, e o palco fosse o sítio para onde carrego o meu corpo e o deixo lá a sangrar em frente a uma audiência muda que, ao contrário do mundo, interpreta a fragilidade da alma dorida entregue a eles como sinal de força e controlo. E saio de lá sempre tão gasta que me sinto a deslizar por este mundo com um coração que derreteu e se transformou em esponja.
131.
Gosto das pessoas que não têm vergonha de cantar alto enquanto andam na rua e já perdi conta às vezes que me desviei do meu caminho só para me deliciar com melodias de vidas que me são desconhecidas por mais um bocadinho.
130.
Quando abro a porta com as minhas incrivelmente confortáveis calças de pijama azuis e o alaska escondido no colo, imagino que as pessoas pensem sempre: "pobre coitada, tão nova e já tão solitária" e não consigo não sorrir.
Para quem ainda não teve a honra de conhecer o alaska, hei-lo.
129.
Altura das confissões:
Gosto de vasculhar os livros do meu pai. Ele não acha piada então aproveito quando se distrai para os cheirar e procurar neles memórias escondidas. Encontro-as sempre, e é como encontrar pedaços do homem que eu nunca conheci, e que sempre imaginei dentro dele.
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