137.

Os momentos bonitos que acontecem quase-sem-eu-dar-por-isso:
O meu pai esteve a ligar para amigos a pedir postais para mim e quando foi interrogado pelo motivo, respondeu: "Ela faz colecção. É daquelas garotas que já não se vê por aí."

136.

- Sem querer soar aos clichés amorosos adolescentes - o que eu queria mesmo era dizer-te como te gosto perto. Fazes sempre com o que o mundo se torne mais pequeno, porque o mundo são só os teus braços e as noites infinitas onde parece fazer sempre frio, e eu nunca sei como te deixar às 6 da manhã.

135.

Eu sou daquelas pessoas que ainda acha que existe sempre uma forma mais bonita de dizermos o que temos a dizer, e por isto é que me magoo quando usam as palavras como se quisessem esborrachar corações contra a parede, e me magoo ainda mais quando sou eu a fazê-lo.
(E é tarde, e a esta hora pareço sempre uma menina perdida de casa. Não façam caso.)

134.

No fundo, estas serão sempre as minhas noites favoritas.

133.

Dos postais que a Inês recebe às sextas de manhã:

"Gosto de ti porque não gostas de pessoas, mas gostas de mim e não gritas comigo quando tenho febre à tarde e passas-me os apontamentos de História e és uma das pessoas mais bonitas deste mundo."

132.

Não sei explicar a minha vontade de palco. É como se passasse muito tempo com um sentimento de insuficiência, de falta de mim, e o palco fosse o sítio para onde carrego o meu corpo e o deixo lá a sangrar em frente a uma audiência muda que, ao contrário do mundo, interpreta a fragilidade da alma dorida entregue a eles como sinal de força e controlo. E saio de lá sempre tão gasta que me sinto a deslizar por este mundo com um coração que derreteu e se transformou em esponja.