A imagem do meu pai está irrevogavelmente associada às tardes compostas pelas três partes essenciais da sua vida: um bom livro de poemas, Piaf no volume de certo e pão com chouriço ainda quente.
170.
A solidão tem um travo amargo que faz com que seja sempre difícil de engolir da primeira vez - depois as noites sucedem-se, os ossos deixam de sentir frio e não sei, já nunca sei se estou a beber água.
169.
"O que me mata, mais que o tabaco, é a vida. Os meus pulmões gastam-se é com ela."
(por mim passava dias sem dizer nada, só a ouvir os outros falarem e a soarem a poesia.)
168.
«O senhor é tudo
quanto me tem valido na minha doença e eu estou-lhe agradecida sem que o senhor
o saiba. Eu nunca poderia ter ninguém que gostasse de mim como se gostasse das
pessoas que têm o corpo de que se pode gostar, mas eu tenho o direito de gostar
sem que gostem de mim, e também tenho o direito de chorar, que não se negue a
ninguém.»
Carta da corcunda para o serralheiro, Fernando Pessoa.
166.
Dos postais que a inês recebe às sextas de manhã:
«Gosto de ti por nenhuma razão em particular, mas sei que vou ter saudades tuas.»
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