181.

Dizes que não cuido de mim, não sabendo as noites que passo com o coração ao frio a tentar atenuar o sangue pisado das pancadas dos teus punhos, da tua alma, do teu ser. Soubesses tu o amor que é preciso para eu não quebrar ao vento. Soubesses tu a força que faço para cuidar do que escapou às tuas garras afiadas.

180.

São braços onde incidentalmente pertenço. Que faço eu contigo?

179.

Podem-me falar as mais ternas palavras vezes sem conta que eu retenho os pormenores . Podes percorrer mundos com sílabas que escorrem quentes no corpo mas a memória mais doce que tenho de ti será sempre a da tua voz trémula, receosa de fazer a pergunta de todos os dias, porque nunca ouviste realmente a resposta: 
".... queres açúcar no café?"

178.

"Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a lua do lado que eu nunca vi. 

Se eu fosse cego amava toda a gente."

Almada Negreiros, «Canção da Saudade»

177.

As pessoas são sempre casas abandonadas.

176.

E se dissesse que o amor
Nasce nas tuas rimas desalinhadas
Na brutalidade das palavras que te enchem
E na terapia que os teus lábios dizem querer fingir

Deixavas-te ficar?