Não me desgastes tu as entranhas, menina, que eu já sei que te penduras pela pele do pescoço mas arranjas sempre forma de te agarrar às cordas do estendal. São as tuas manhas, as coisas que aprendeste quando eu virava as costas. Já não te oiço os sorrisos dissimulados nem sei em quantos vais no jogo das escondidas. Vá lá, larga-me a roupa que me estás a amarrotar o vestido. Já não, já não cheiro a praia. Não, não quero os teus braços para nada. Foge daqui, anda. Já não posso com a falta do teu cheiro em ti.
182.
- O que fazes quando largas as amarras e és já só um papel ao vento? Quando desistir é a única palavra que cabe na tua boca?
- Respiras, dizes que vais morrer, pegas nos chinelos e vais buscar o chá que ferve ao lume.
- Respiras, dizes que vais morrer, pegas nos chinelos e vais buscar o chá que ferve ao lume.
181.
Dizes que não cuido de mim, não sabendo as noites que passo com o coração ao frio a tentar atenuar o sangue pisado das pancadas dos teus punhos, da tua alma, do teu ser. Soubesses tu o amor que é preciso para eu não quebrar ao vento. Soubesses tu a força que faço para cuidar do que escapou às tuas garras afiadas.
179.
Podem-me falar as mais ternas palavras vezes sem conta que eu retenho os pormenores . Podes percorrer mundos com sílabas que escorrem quentes no corpo mas a memória mais doce que tenho de ti será sempre a da tua voz trémula, receosa de fazer a pergunta de todos os dias, porque nunca ouviste realmente a resposta:
".... queres açúcar no café?"
".... queres açúcar no café?"
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